Archives for November 2014

November 30, 2014 - No Comments!

Choisir, c’est renoncer

La plus difficile des choses est, pour moi, le choix. Car la phrase attribuée à André Gide m’est un miroir, un miroir de ma propre peur à mettre des choses de coté. Ma vie a toujours été contaminée par le syndrome de Diogène. Ecrire en français ou en portugais ? Faire de l’art ou du graphisme ? Bâtir des images ou des phrases? Habiter dans le nord ou dans le sud ? Et comment reprocher, quand on cherche du travail notamment, le désarroi des employeurs qui trouvent, dans mon site de travail, de la peinture, du dessin, de la micro-édition de textes personnels et qu’ils n’ont pas vraiment à lire ?

Cela est la clé de ma vie, peut-être d’autres. Quoi abandonner sur le chemin ? Qu’est-ce que servirait comme lest à jeter à bâbord et à tribord, mon capitaine ? Vite, les autres avancent en ligne droite !

Peut-être qu’il me faut juste une chambre grande et dépouillée, aux murs blancs. Une chaise en bois, une table contre un mur, et à gauche la large fenêtre qui montre la mer.

November 29, 2014 - No Comments!

O estrangeiro

Estava a ler uma entrevista dos Dead Combo no Expresso e leio a resposta do Pedro Gonçalves à pergunta "Que lições tiraram de tantas viagens ao estrangeiro?". Diz ele: "De cada vez que volto a Portugal, regresso mais contente. Os portugueses são muito mais educados no dia a dia do que na maioria dos países europeus. Em Espanha, não há filas prioritárias para grávidas nem para velhos."
E fiz o exercício de imaginar um inglês ou um alemão a dizer isto, esta generalização. Soaria mal, no mínimo. Não são só os franceses a serem chauvinistas.

November 28, 2014 - No Comments!

Quatro livros

Em dois meses passados em Lisboa comprei quatro livros. Acho que não me arrependerei da compra de nenhum deles.

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Devorei o "Ouro e Cinza" do Paulo Varela Gomes. Portugal é um país de cronistas, e muitos de nós aprenderam a ler graças às colunas do Público ou do Expresso. Pedro Mexia, Eduardo Prado Coelho, Miguel Esteves Cardoso, Manuel António Pina et caetera. Talvez me engane, mas nunca vi tanto espaço, ou tão nobre, dedicado à arte de ter uma opinião noutros jornais que consulto. No Libération estão condenados lá para o fim, todos juntos, nas páginas mais feias do quotidiano francês. No Le Monde nunca retive nenhum nome de cronista. Mas aqui em Portugal gostamos dessa fórmula do pequeno texto que fale de nada e de tudo e que salta de tema em tema com um olhar um pouco afastado, porventura semelhante ao homem da rua que tem ali um porta-voz.

November 21, 2014 - No Comments!

A praga da palavra ‘gourmet’ em Portugal.

 

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Uma das coisas de que mais gostava em Bruxelas, um dos meus maiores prazeres, era ir ao mercado ao Sábado ou ao Domingo de manhã.

Devido aos muitos anos de especulação imobiliária e de destruição massiva do património que já não interessava economicamente, não restam muitos mercados cobertos em Bruxelas – definitivamente uma cidade que não gosta dela própria.

A zona onde morei durante os últimos quatro anos – assim uma mistura de Anjos e Mouraria, ou seja, artistas precários, famílias de classe média, imigrantes, malta da boémia, tudo bastante à esquerda – possuía o mercado mais antigo da cidade. Tinha lugar todas as manhãs, e à quinta-feira havia uma versão maior, alargada àquilo que em Portugal se conviria a chamar ‘gourmet’ – mas com a vantagem de ninguém lhe chamar assim (mas de qualquer modo nunca ia lá à quinta). Um tipo saía de casa relativamente de manhã, lá para as onze, e fazia-se a ronda dos comerciantes. Haviam sempre dois ou três italianos que tanto vendiam produtos de base – umas massas especiais, queijos – como produtos mais sofisticados. Comprava uns arancini, um fiambre com rosmaninho de chorar por mais, e depois passava noutro vendedor com uma escolha pletórica de queijo e charcutaria, de Espanha, de França, de Itália, e saía de lá com umas fatias de pancetta, com um comté, com um morbier. Depois passava pela tenda biológica, um pâté caseiro e tal, e um saltinho à mercearia portuguesa com a vitrine cheia de erros, para ir comprar pão, mais chá e uns legumes na loja do casal dinamarquês-marroquino onde havia produtos dos dois países, e ia feliz para casa para preparar o brunch, ritual semanal com restantes membros da quasi-família com quem morava.

Aqui em Lisboa a malta parece alérgica aos vocábulos “brunch”, “rúcula” e quejandos, e eu percebo: é porque vêm associados a outros termos, estes insuportáveis: “gourmet”, “urbano”, “de bairro”. Mas, na verdade, não há nada de mal em comer rúcula - que mais não é que uma erva daninha – ou produtos de boa qualidade, ou legumes que chegam um pouco mais tarde a Portugal devido à nossa eterna condição periférica. Em Bruxelas, para além dos produtos trazidos pelas comunidades imigrantes, viam-se de novo legumes e frutos que tinham sido esquecidos, postos certamente à margem pela estandardização forçada pela grande distribuição. Em Portugal parece-me que é ainda é complicado sair da lógica do hipermercado, e que os grandes grupos têm quase um monopólio sobre aquilo que se come.

Mas o que é insuportável em Lisboa, onde os mercados são paulatinamente substituídos por lojas ‘gourmet’, é que esses novos produtos não parecem ter sido trazidos por imigrantes ou pessoas interessadas em comer melhor, mas pelas tias dos bairros abastados que foram uma e outra vez passar o fim-de-semana a Londres e que acharam “giríssimo” o “conceito” de mercado, aquela gente toda e não-sei-quê, e se fizéssemos o mesmo em Lisboa? É a mesmo tipo de tia que vi na LX Factory a vender artesanato (mais uma vez) giríssimo e cheio de cores, e que se apropriou estranhamente de lugares onde existe outro tipo de população - como os mercados. Uma espécie de gentrificação à portuguesa. E assim, comer rúcula em Lisboa tornou-se terrivelmente snob.

Aquilo que gostava em Saint-Gilles era de fazer a volta ao mundo em meia-dúzia de metros, e maravilhar-me diante de cousas deliciosas – sem que alguém se tivesse lembrado de lhe pôr o nome ‘gourmet’.

 

 

 

November 20, 2014 - No Comments!

Hokusai, Paris.

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Je n’ai jamais spécialement aimé Paris. Bon, voilà ce qui est dit.

Pendant très longtemps je me sentais coupable de le penser, alors j’inventais des schémas mentaux qui tournaient invariablement autour d’un ‘oui, mais…’ peu convaincant : ‘oui, Paris est stressante et les gens insupportablement discourtois, mais il y a quantité de monuments et musées’.

La première fois que je suis arrivé à Paris, il y a une douzaine d’années, dans ma plus profonde ignorance j’attendais, comme tous les japonais qui caressent l’image édulcorée de la ville, les couleurs des films de Jean-Pierre Jeunet et toutes les autres cartes postales prémonitoires d’Instagram. Evidemment, le deuxième jour je monte l’escalier qui mène au Sacré-Cœur, en tant que touriste néophyte, et là, en regardant vers le sud les grands boulevards haussmanniens, le choc : j’ai réalisé que Paris est une masse très, très compacte de toits gris-foncé et pierre de taille gris-clair, et tout était soit massif soit gris soit les deux. Et le plus je connaissais cette ville (où j’ai dû aller vingt ou trente fois, je ne sais plus) le plus je constatais cette presque absolue manque de couleur dans l’espace publique – un décor théâtrale à une échelle démesurée habité par une population ressemblant à des mormons dépressifs, malpolie et triste.

Je me suis rendu compte avec le temps d’une autre chose : ce qui me plaît dans les villes c’est justement ce que Paris ne possède pas, ou plus : le désordre, la surprise, les endroits où la nature menace envahir ce qui aurait pu paraître durable autrefois, enfin, le temps qui passe et les ruines qui restent, la base sous-marine de Lorient et les masses granitiques de Porto recouvertes de mousse – en bon français, les vieilles pierres. Mais à Paris les pierres ne semblent jamais vieilles dans cette maîtrise rationnelle des éléments, des blocs taillés jusqu’à la perfection qui se répètent et répètent et répètent à chaque boulevard, sans étonnement, sans individualité, sans émoi, comme la maîtrise de la nature à la manière des jardins à la française, où un arbre perd son sens premier, sa valeur d’arbre, pour devenir un outil, un élément réduit à sa dimension décorative.

Du coup il y a un énorme contraste entre ces bâtiments monumentaux et écrasants, entourés d’arbres d’agrément, et le corps minuscule, inconfortable, trop fragile et trop organique pour faire face à des monstres de pierre de taille et fer forgé. Des millions de francs et d’euros sont dépensés pour les ériger et les entretenir, mais on reste toujours sous la pluie et la boue pendant une heure en attendant de rentrer dans le plus grandiloquent parmi eux, le Grand Palais, pour aller voir une exposition de Hokusai dans ce temple du savoir.

Et, comme toujours à Paris, on oublie vite la pluie et le froid en arrivant dans une exposition fabuleuse qui nous marquera pour toujours.

Je soupçonnais déjà Hokusai d’être un génie.

L’exposition respectait un ordre chronologique, et ce choix n’a jamais fait autant de sens. Toute sa vie a été une quête, une mission pour comprendre la nature à travers sa représentation. Certes, ça semble générique, ou essentialiste, mais l’essence de la nature se trouve dans l’accumulation de dessins de l’écume des vagues, des étoffes des kimonos, des amas de feuilles d’arbres, des visages de femmes et des belles choses, ou des choses qui deviennent belles sur sa feuille. Ce qui est important est que, dans les aplats et motifs extraordinaires, recouverts d’un trait de contour précis et délicat, réel et décoration se mêlent, s’immiscent, et nous ne savons plus lequel est lequel. Ce qui est important, également, est que Hokusai, qui s’est nommé lui-même ‘fou de peinture’, est arrivé à 1820 avec soixante ans (la période Iitsu) en comprenant un peu mieux le monde (et nous aussi, du coup) : assez, en tous cas, pour produire les merveilleuses impressions du monde flottant appelées ‘Trente-six vues du mont Fuji’ et les ‘Cascades’, où le bleu de Prusse se manifeste à chaque horizon, chaque goutte de pluie, chaque surface d’eau. C’est l’avant-dernière salle de l’exposition, avant d’accéder à son émouvante et célèbre déclaration: Depuis l’âge de six ans, j’avais la manie de dessiner les formes des objets. Vers l’âge de cinquante, j’ai publié une infinité de dessins ; mais je suis mécontent de tout ce que j’ai produit avant l’âge de soixante-dix ans. C’est à l’âge de soixante-treize ans que j’ai compris à peu près la forme et la nature vraie des oiseaux, des poissons, des plantes, etc. Par conséquent, à l’âge de quatre-vingts ans, j’aurai fait beaucoup de progrès, j’arriverai au fond des choses ; à cent, je serai décidément parvenu à un état supérieur, indéfinissable, et à l’âge de cent dix, soit un point, soit une ligne, tout sera vivant. Je demande à ceux qui vivront autant que moi de voir si je tiens parole. Ecrit, à l’âge de soixante-quinze ans, par moi, autrefois Hokusai, aujourd’hui Gakyo Rojin, le vieillard fou de dessin.

Hokusai est mort à 89 ans, et à cette âge-là il avait déjà réussi à tirer un peu le rideau et à accéder à que qui se cache derrière.

Je n’ai pas été la voir, mais en même temps il avait une exposition ‘Duchamp’ à Beaubourg. Et c’est intéressant de concevoir un parallèle entre l’héritage laissé par les deux. Duchamp a évidemment influencé durablement le champ de l’art après lui ; et Hokusai a influencé une autre chose, ce qu’on appelle aujourd’hui l’illustration : les images construites avec un savoir-faire artisanal, une croyance dans les éléments du dessin, plus puissants que tout discours construit autour de lui.

Puis on sort du Grand Palais et on se sent terriblement injustes avec cette ville. On se rend compte de la quantité inimaginable de trésors exhibés, de choses belles et sophistiquées qu’y existent. Le soin porté à la plus minuscule portion de la vie, qui nous fait tous – ceux qui n’y habitent pas - passer par des barbares. L’amour très sincère de la culture, au sens large comme au sens strict.

Et de l’effort demandé à chacun pour habiter une ville très, très dense, où à la fois on survit et on s’habille très chic, où on essaye d’avoir une vie de quartier et on est poussé par des hordes de touristes, où chacun doit s’organiser terriblement pour avoir une vie en dehors du travail – mais où les amis ont presque toujours du temps pour me voir.

November 20, 2014 - No Comments!

De la condition économique de l’artiste

C'est un peu ironique que, finalement, les artistes gagnent généralement moins que les galeristes, les directeurs des musées et des centres d'art, les employés des musées et des centres d'art, les médiateurs culturels, les responsables de la communication, les professeurs d'arts plastiques, les fonctionnaires des ministères de la culture et un peu près tous ceux qui vivent autour des artistes et du monde de l'art.