All Posts in Avancées sociales

November 20, 2014 - No Comments!

De la condition économique de l’artiste

C'est un peu ironique que, finalement, les artistes gagnent généralement moins que les galeristes, les directeurs des musées et des centres d'art, les employés des musées et des centres d'art, les médiateurs culturels, les responsables de la communication, les professeurs d'arts plastiques, les fonctionnaires des ministères de la culture et un peu près tous ceux qui vivent autour des artistes et du monde de l'art.

January 31, 2010 - No Comments!

Ainda a interdição das burqas

"É necessário entender que em ambientes opressores, o véu permite às mulheres a negociação da sua liberdade (sair à rua, estudar, trabalhar, etc.,), o que explica a razão de algumas lhe atribuírem valor no seu percurso para a emancipação", afirma Ana Matos Pires no Jugular.

Igualmente, em ambientes opressores e proselitistas a lei irá ser explorada até ao limite, sendo os movimentos feministas muçulmanos demasiado minoritários. O facto da tendência dominante ser hoje em dia agressivamente conservadora impele à opressão de quem não o é e à contaminação de ambientes laicos (exemplo: a escola). é uma relação de poder onde hoje a parte progressista aparece enfraquecida.

Sem querer utilizar argumentos de autoridade, parece-me que poucos portugueses fazem uma ideia do que é a imensa pressão social e cultural em bairros, escolas e lugares públicos dominados pela cultura muçulmana radical. Gostava de encontrar mais testemunhos de activistas que contactem de perto a realidade da opressão islamista sobre as mulheres. Por exemplo: http :/ www.niputesnisoumises.com /"

De resto, ao referir a negociação da liberdade estamos a admitir que a burqa é, objectiva e quase sempre subjectivamente, imposta às mulheres. Mas como não posso admitir que uma mulher mal tratada pelo seu marido negoceie a sua liberdade em troca de violência, também não posso admitir, em 2010 e no coração da Europa, que uma mulher negoceie a sua liberdade em troca de uma burqa. Sendo que tenho muitas reservas em relação a uma lei.

January 27, 2010 - No Comments!

Sobre a interdição das burqas em França

(a partir de um debate no http://jugular.blogs.sapo.pt/)

A comparação com o hábito das freiras é recorrente quando se fala de burqas, mas não me parece sempre judiciosa.

Primeiro, as freiras fazem por norma parte de congregações religiosas. Segundo, elas não sofrem a pressão comunitária e social elevadíssima que, supomos todos, sofre a maioria das mulheres que usam burqa. Terceiro, elas continuam reconhecíveis.

O debate não é apenas religioso, mas sobretudo social. Ao tapar integralmente o corpo e a cara estamos a recusar sermos reconhecidos e fazer parte do espaço público. De uma certa forma, para muitos efeitos uma mulher de burqa não existe: é a anulação da individualidade que se reflecte, antes de mais, nos traços físicos do nosso corpo. Voluntária ou não. Não se pode relativizar a importância do porte de um objecto que nos esconde a marca distintiva de cada ser humano: o rosto.

Assumir a burqa como um acto livre é a interiorização da repressão. Se quisermos levar ao extremo, nunca nenhum membro de uma seita dirá que não é livre.

Apesar de tudo sou em princípio contra a interdição da burqa, porque a lei pode causar efeitos perversos, mas o tema não se presta a absolutismos. Mas se o véu foi proibido nas escolas francesas (e belgas) não foi por islamofobia mal disfarçada, mas porque é inegável o jugo e a pressão do islão radical em sectores inteiros da sociedade. De resto, o problema é antes de mais de segurança pública: uma mulher de burqa não sendo reconhecível vários problemas se levantam na vida de todos os dias, desde ir ao banco até ir buscar os filhos à escola.

Reduzir o problema à glória passada da França e a perigos imaginados é um insulto a todo o trabalho de defesa das mulheres muçulmanas que é levado a cabo como associações como a Ni putes ni soumises. Por outro lado, basta ver a quantidade de ameaças de morte ao imã de Saint-Denis, que é contra o porte da burqa, para perceber que o assunto ainda é, apesar de tudo, relevante.

De resto, não existe nenhuma contradição entre, por exemplo, defender a liberdade e proibir o uso do véu nas escolas. Da mesma maneira que a direita francesa usa e abusa do eleitoralismo, também a esquerda, na sua febre de relativismo, esquece que nem sempre o perigo se reduz a essa mesma liberdade absoluta, recitada abusivamente. O mecanismos sociais são muito mais complexos: como se não existissem proselitismos, relações de poder, violências e pressões sociais ou comunitárias. A lei deve, em principio, proteger os mais fracos de tradições e costumes impostas pelos mais fortes.

March 17, 2010 - No Comments!

Mes affiches pour un concours de l’Unesco

Culture counts: a poster for 2010, International Year for the Rapprochement of Cultures; a competition to promote better communication and understanding between all peoples and cultures. Organisé par Design21 en collaboration avec l'Unesco.

Different origins, beliefs, cultures: this is the framework of the world and the dialogue between them the force that makes the world goes around. I deeply believe that growing and learning together is the fundamental basis of the human civilization. The globe is the universal symbol of the knowledge of the world we live in: the globe I propose is built with the respect of every point of view, built with mutual understanding, built with the reconciliation and concord of all people.

January 31, 2010 - No Comments!

Ainda a interdição das burqas II

"Repugna-me o que a burca simboliza."

Também é um erro partir desta frase. O que é abjecto não é apenas o que a burqa simboliza mas, igualmente, o que a burqa é. Da mesma maneira que uma agressão não repugna apenas pela sua dimensão simbólica. Não estamos a falar de uma t-shirt com uma cruz gamada, mas de um objecto que é fisicamente uma prisão.

February 17, 2010 - No Comments!

Crimes de honra

A propósito do post do jugular sobre as leis do adultério do Código Penal português, não faz sentido comparar a legislação do século XIX com o que é a realidade brutal e medonha dos  ainda actuais 'crimes de honra' islâmicos.

Estudos mostram que em países como a Palestina ou a Síria entre 25% a 50% das mulheres são maltratadas, para não falar de lugares onde o apedrejamento das mulheres é existente ou de massacres de mulheres, como por exemplo em lugares e momentos tão próximos como a Argélia em 2001. O blog de Eric Azan relembra o episódio, demasiado recente para incorrer no esquecimento.

http://veilleur.blog.lemonde.fr/2010/02/17/juillet-2001-38-femmes-lynchees-en-algerie/

February 22, 2010 - No Comments!

Um texto na mouche no Esquerda Republicana

Pela mão do Ricardo Alves.

Esquerda radical e islamofascismo: a mesma luta?

O Renato Teixeira do Cinco Dias descobriu um novo espectro que anda pelo mundo - o espectro do islamofascismo. Todos os poderes europeus e norte-americanos lhe dão luta, portanto há que alinhar ao seu lado. Nem mais nem menos.
A motivação principal é o combate ao imperialismo (estado-unidense). Quando o Hamas e o Hezbollah enfrentam Israel, o Irão desafia o mundo com o seu programa nuclear, os talibã se mantêm há  mais de oito anos em guerra intermitente contra a NATO, e a Al-Qaeda rebenta homens-bomba um pouco por todo o lado, do Iraque a Londres, Madrid e Nova Iorque, é certo que há um movimento político global que se opõe às democracias laicas. A natureza desse movimento parece não incomodar por aí além o Renato Teixeira, que presumo ser um marxista e um revolucionário.
E no entanto, desde 1979 que os países de população islâmica se começaram a afastar das simpatias pós-coloniais por um socialismo laico (sempre bastante vago, à moda de Nasser). Com a revolução islâmica no Irão, a sobrevivência alimentada a petróleo do regime mais retrógrado do planeta (a Arábia Saudita), a vitória dos mujahedin no Afeganistão e a quase vitória da FIS na Argélia, e, mais recentemente, a substituição da OLP pelo Hamas na liderança efectiva da Palestina, e avanços islamistas em países tão distintos como a Somália ou a Turquia, o que confrontamos hoje é um movimento islamofascista global, que representa um perigo imenso para os direitos humanos das mulheres, das minorias culturais e sexuais, e para as liberdades.

E este movimento está presente na Europa, como se vê nos incidentes anti-semitas em Malmöe (Suécia), ou pela perseguição contínuada a um cartunista anarquista (na Dinamaca). Hoje, na Europa, não são apenas os neonazis racistas que representam um perigo para judeus e homossexuais. São também os fascistas que saem das mesquitas radicais.

Não entender isto, e manifestar simpatia pelos islamofascistas com o argumento de que se opõem ao «imperialismo», é alimentar o mais reaccionário movimento político do planeta.

E, de certo modo, é trágico: os bisnetos de Lenine aliam-se aos czares contra Kerenski. Preferem o fascismo verde à democracia «burguesa». Para que serve esquerda desta?

February 1, 2010 - No Comments!

A esquerda e a religião

Apesar de ser anti-clerical não consigo perceber a diferença de tratamentos em relação a uma religião decadente na europa e que perde a passos largos influência na pólis e a outra que é hoje muito mais perigosa para as aquisições sociais progressistas do último século. O facto de ser uma religião que é associada aos fracos e aos oprimidos - i.e, às classes baixas - explica em parte este paternalismo perigoso da esquerda.

Exemplo:  o caso do Monseigneur Léonard, que comparou a homossexualidade à anorexia num programa televisivo.

No entanto, os outros líderes religiosos presentes estavam de acordo. Não percebo a dualidade de critérios jornalísticos que insiste em focalizar na igreja católica, igreja condenada a curto prazo a um papel residual nas sociedades da europa ocidental. Por exemplo, a condenação dos imãs de Bruxelas da homossexualidade é relevante política e socialmente, porque o islão é a religião do futuro nas cidades belgas e porque existe uma homofobia crescente numa parte da comunidade muçulmana.

O universo das igrejas americanas ou os responsáveis católicos europeus não são mais próximos que as questões culturais levantadas pelo islão na europa. Duvido que a posição de alguns clérigos reaccionários americanos mude mais a realidade próxima do que a pressão islamista na vida de milhares de pessoas, reflectida em opiniões de imãs que fariam parecer o novo responsável da igreja belga um hippie progressista.