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May 28, 2014 - No Comments!

Comprendre ce qui se passe en France

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http://bruxelles.blogs.liberation.fr/coulisses/2014/05/la-france-moisie.html

Comme d'habitude dans l'excellent blog de Jean Quatremer (oui oui, le même qui a écrit ce célèbre texte sur l'état de la ville de Bruxelles), les commentaires sont aussi intéressants à lire que le texte. Et ce qui se dégage des commentateurs c'est ça: c'est peut-être rassurant de faire des jugements moraux après des faits politiques, mais ça ne fait pas avancer grand-chose. Et que agiter les mêmes poncifs d'avant sur le FN, qui est le premier parti des ouvriers et des jeunes, en même temps qu'on critique le peuple qui vote mal, c'est lui garder un boulevard ouvert, rassurant les gens qui trouvent que seul le FN les écoute.

Le vote de dimanche est un coup de pied dans une fourmilière qui fonctionne mal, qui est opaque, qui n'est pas démocratique et qui ne sait pas où elle va. Mais le problème est que le coup de pied a été donné par des gens qui veulent la détruire, pas la réformer ou la faire évoluer.

Peut-être, ou peut-être que les gens qui votent FN ne veulent pas d'Europe tout court. En tous cas c'est dur de croire à l'Europe aujourd'hui, et je ne vois pas de raisons pour y croire. Je ne crois pas que l'Europe est irréformable, mais c'est sûr qu'elle est ingérable telle qu'elle est aujourd'hui, et qu'il faudra choisir si on avance si on revient aux états-nation et à une Europe purement économique. Là on est au milieu d'un fleuve et on hésite à traverser jusqu'à la berge ou à faire retour-arrière.

L'Europe aujourd'hui n'est pas seulement économique, elle est aussi politique: un parlement, des institutions, une politique agricole commune, une politique étrangère commune. L'espace Schengen est politique, pas économique. L'Europe sociale est impossible s'il n'a pas d'institutions européennes démocratiquement élue (allez, soyons idéalistes: à travers une démocratie participative) qui puissent être jugées et choisies par les citoyens, et qui puissent établir de vrais politiques sociales communes. Donc je crois que c'est en approfondissant l'Europe qu'on aura plus de social, pas le contraire. Après, pourquoi que les gens votent FN et pas FdG, par exemple ? Ba, c'est une évidence: écoutez, lisez ce que les gens qui ont voté FN ont à dire, et lisez quels sont leurs soucis.

 

November 20, 2014 - No Comments!

De la condition économique de l’artiste

C'est un peu ironique que, finalement, les artistes gagnent généralement moins que les galeristes, les directeurs des musées et des centres d'art, les employés des musées et des centres d'art, les médiateurs culturels, les responsables de la communication, les professeurs d'arts plastiques, les fonctionnaires des ministères de la culture et un peu près tous ceux qui vivent autour des artistes et du monde de l'art.

February 17, 2010 - No Comments!

Crimes de honra

A propósito do post do jugular sobre as leis do adultério do Código Penal português, não faz sentido comparar a legislação do século XIX com o que é a realidade brutal e medonha dos  ainda actuais 'crimes de honra' islâmicos.

Estudos mostram que em países como a Palestina ou a Síria entre 25% a 50% das mulheres são maltratadas, para não falar de lugares onde o apedrejamento das mulheres é existente ou de massacres de mulheres, como por exemplo em lugares e momentos tão próximos como a Argélia em 2001. O blog de Eric Azan relembra o episódio, demasiado recente para incorrer no esquecimento.

http://veilleur.blog.lemonde.fr/2010/02/17/juillet-2001-38-femmes-lynchees-en-algerie/

February 19, 2010 - No Comments!

Portugal ao longe

Talvez seja o facto de morar longe que me faz ficar estarrecido perante a forma como Portugal tem assistido, em horário nobre, a este mar de acusações histriónicas e totalmente fulanizadas ao governo, a Sócrates e aos apoiantes destes. A razão legítima que poderia estar do lado de quem desconfia das pressões sobre os media dilui-se nos sistemáticos golpes abaixo da cintura dos principais opositores ao governo: figuras recomendáveis como a MMG , o Mário Crespo ou o JPP .
É hoje impossível saber quem tem razão, no meio do lamaçal a que temos tido direito (e em relação ao qual a inenarrável intervenção do Mario Crespo na Comissão de Ética foi a cereja sobre o bolo). Mas uma coisa é certa: esta polémica ultrapassa em muito o primeiro-ministro e engloba direcções de jornais, televisões, empresas e outras cúpulas de poder.

February 22, 2010 - No Comments!

Um texto na mouche no Esquerda Republicana

Pela mão do Ricardo Alves.

Esquerda radical e islamofascismo: a mesma luta?

O Renato Teixeira do Cinco Dias descobriu um novo espectro que anda pelo mundo - o espectro do islamofascismo. Todos os poderes europeus e norte-americanos lhe dão luta, portanto há que alinhar ao seu lado. Nem mais nem menos.
A motivação principal é o combate ao imperialismo (estado-unidense). Quando o Hamas e o Hezbollah enfrentam Israel, o Irão desafia o mundo com o seu programa nuclear, os talibã se mantêm há  mais de oito anos em guerra intermitente contra a NATO, e a Al-Qaeda rebenta homens-bomba um pouco por todo o lado, do Iraque a Londres, Madrid e Nova Iorque, é certo que há um movimento político global que se opõe às democracias laicas. A natureza desse movimento parece não incomodar por aí além o Renato Teixeira, que presumo ser um marxista e um revolucionário.
E no entanto, desde 1979 que os países de população islâmica se começaram a afastar das simpatias pós-coloniais por um socialismo laico (sempre bastante vago, à moda de Nasser). Com a revolução islâmica no Irão, a sobrevivência alimentada a petróleo do regime mais retrógrado do planeta (a Arábia Saudita), a vitória dos mujahedin no Afeganistão e a quase vitória da FIS na Argélia, e, mais recentemente, a substituição da OLP pelo Hamas na liderança efectiva da Palestina, e avanços islamistas em países tão distintos como a Somália ou a Turquia, o que confrontamos hoje é um movimento islamofascista global, que representa um perigo imenso para os direitos humanos das mulheres, das minorias culturais e sexuais, e para as liberdades.

E este movimento está presente na Europa, como se vê nos incidentes anti-semitas em Malmöe (Suécia), ou pela perseguição contínuada a um cartunista anarquista (na Dinamaca). Hoje, na Europa, não são apenas os neonazis racistas que representam um perigo para judeus e homossexuais. São também os fascistas que saem das mesquitas radicais.

Não entender isto, e manifestar simpatia pelos islamofascistas com o argumento de que se opõem ao «imperialismo», é alimentar o mais reaccionário movimento político do planeta.

E, de certo modo, é trágico: os bisnetos de Lenine aliam-se aos czares contra Kerenski. Preferem o fascismo verde à democracia «burguesa». Para que serve esquerda desta?

February 1, 2010 - No Comments!

A esquerda e a religião

Apesar de ser anti-clerical não consigo perceber a diferença de tratamentos em relação a uma religião decadente na europa e que perde a passos largos influência na pólis e a outra que é hoje muito mais perigosa para as aquisições sociais progressistas do último século. O facto de ser uma religião que é associada aos fracos e aos oprimidos - i.e, às classes baixas - explica em parte este paternalismo perigoso da esquerda.

Exemplo:  o caso do Monseigneur Léonard, que comparou a homossexualidade à anorexia num programa televisivo.

No entanto, os outros líderes religiosos presentes estavam de acordo. Não percebo a dualidade de critérios jornalísticos que insiste em focalizar na igreja católica, igreja condenada a curto prazo a um papel residual nas sociedades da europa ocidental. Por exemplo, a condenação dos imãs de Bruxelas da homossexualidade é relevante política e socialmente, porque o islão é a religião do futuro nas cidades belgas e porque existe uma homofobia crescente numa parte da comunidade muçulmana.

O universo das igrejas americanas ou os responsáveis católicos europeus não são mais próximos que as questões culturais levantadas pelo islão na europa. Duvido que a posição de alguns clérigos reaccionários americanos mude mais a realidade próxima do que a pressão islamista na vida de milhares de pessoas, reflectida em opiniões de imãs que fariam parecer o novo responsável da igreja belga um hippie progressista.