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October 27, 2014 - No Comments!

Le graphisme en France

J'aimerais bien être un sociologue du graphisme, faire du graphisme comparatif. Ma première thèse tournerait autour de la question: pourquoi est-ce le graphisme (et la culture graphique) si mauvais en France ?

June 11, 2014 - No Comments!

Le musée Marmottan, à Paris

Je ne savais même pas l'existence de ce musée. Il y avait une exposition autour des impressionnistes en collection privée, mais le vrai trésor était au sous-sol : les énormes tableaux que Claude Monet a peint à la fin de sa vie, son vrai testament - bien plus que l"Impression, Soleil Levant", bien plus que ses peintures de gares et cathédrales , et qui se lisent devant nos yeux comme l'épitaphe d'une vie de recherche picturale: Les Nymphéas.

La peinture y est fraîche, imparfaite, merveilleusement complexe.

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January 31, 2010 - No Comments!

Ainda a interdição das burqas

"É necessário entender que em ambientes opressores, o véu permite às mulheres a negociação da sua liberdade (sair à rua, estudar, trabalhar, etc.,), o que explica a razão de algumas lhe atribuírem valor no seu percurso para a emancipação", afirma Ana Matos Pires no Jugular.

Igualmente, em ambientes opressores e proselitistas a lei irá ser explorada até ao limite, sendo os movimentos feministas muçulmanos demasiado minoritários. O facto da tendência dominante ser hoje em dia agressivamente conservadora impele à opressão de quem não o é e à contaminação de ambientes laicos (exemplo: a escola). é uma relação de poder onde hoje a parte progressista aparece enfraquecida.

Sem querer utilizar argumentos de autoridade, parece-me que poucos portugueses fazem uma ideia do que é a imensa pressão social e cultural em bairros, escolas e lugares públicos dominados pela cultura muçulmana radical. Gostava de encontrar mais testemunhos de activistas que contactem de perto a realidade da opressão islamista sobre as mulheres. Por exemplo: http :/ www.niputesnisoumises.com /"

De resto, ao referir a negociação da liberdade estamos a admitir que a burqa é, objectiva e quase sempre subjectivamente, imposta às mulheres. Mas como não posso admitir que uma mulher mal tratada pelo seu marido negoceie a sua liberdade em troca de violência, também não posso admitir, em 2010 e no coração da Europa, que uma mulher negoceie a sua liberdade em troca de uma burqa. Sendo que tenho muitas reservas em relação a uma lei.

January 27, 2010 - 1 comment.

Sobre a interdição das burqas em França

(a partir de um debate no http://jugular.blogs.sapo.pt/)

A comparação com o hábito das freiras é recorrente quando se fala de burqas, mas não me parece sempre judiciosa.

Primeiro, as freiras fazem por norma parte de congregações religiosas. Segundo, elas não sofrem a pressão comunitária e social elevadíssima que, supomos todos, sofre a maioria das mulheres que usam burqa. Terceiro, elas continuam reconhecíveis.

O debate não é apenas religioso, mas sobretudo social. Ao tapar integralmente o corpo e a cara estamos a recusar sermos reconhecidos e fazer parte do espaço público. De uma certa forma, para muitos efeitos uma mulher de burqa não existe: é a anulação da individualidade que se reflecte, antes de mais, nos traços físicos do nosso corpo. Voluntária ou não. Não se pode relativizar a importância do porte de um objecto que nos esconde a marca distintiva de cada ser humano: o rosto.

Assumir a burqa como um acto livre é a interiorização da repressão. Se quisermos levar ao extremo, nunca nenhum membro de uma seita dirá que não é livre.

Apesar de tudo sou em princípio contra a interdição da burqa, porque a lei pode causar efeitos perversos, mas o tema não se presta a absolutismos. Mas se o véu foi proibido nas escolas francesas (e belgas) não foi por islamofobia mal disfarçada, mas porque é inegável o jugo e a pressão do islão radical em sectores inteiros da sociedade. De resto, o problema é antes de mais de segurança pública: uma mulher de burqa não sendo reconhecível vários problemas se levantam na vida de todos os dias, desde ir ao banco até ir buscar os filhos à escola.

Reduzir o problema à glória passada da França e a perigos imaginados é um insulto a todo o trabalho de defesa das mulheres muçulmanas que é levado a cabo como associações como a Ni putes ni soumises. Por outro lado, basta ver a quantidade de ameaças de morte ao imã de Saint-Denis, que é contra o porte da burqa, para perceber que o assunto ainda é, apesar de tudo, relevante.

De resto, não existe nenhuma contradição entre, por exemplo, defender a liberdade e proibir o uso do véu nas escolas. Da mesma maneira que a direita francesa usa e abusa do eleitoralismo, também a esquerda, na sua febre de relativismo, esquece que nem sempre o perigo se reduz a essa mesma liberdade absoluta, recitada abusivamente. O mecanismos sociais são muito mais complexos: como se não existissem proselitismos, relações de poder, violências e pressões sociais ou comunitárias. A lei deve, em principio, proteger os mais fracos de tradições e costumes impostas pelos mais fortes.

January 31, 2010 - No Comments!

Ainda a interdição das burqas II

"Repugna-me o que a burca simboliza."

Também é um erro partir desta frase. O que é abjecto não é apenas o que a burqa simboliza mas, igualmente, o que a burqa é. Da mesma maneira que uma agressão não repugna apenas pela sua dimensão simbólica. Não estamos a falar de uma t-shirt com uma cruz gamada, mas de um objecto que é fisicamente uma prisão.